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Proventos

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Muitas vezes, quando paramos para pensar no retorno obtido em determinada ação, logo nos apressamos a calcular a valorização do ativo indo do preço pago (P0) até o preço que negocia no momento atual (P1). Exemplo: se de um ano para cá as ações da companhia X oscilaram de R$ 10,00 para R$ 11,00, o retorno durante essa janela de tempo é de 10%, desconsiderando os custos operacionais e os impostos.

Estaria esse raciocínio correto?

Conforme iremos discutir nesse texto, esse cálculo não conta toda a história. E por quê? Primeiramente, para ilustrar a resposta, vamos à fórmula que decompõe o retorno de uma ação:

Onde:

P0: Preço inicial da ação, ou custo;

P1: Preço atual da ação;

Prov: Proventos distribuídos no período.

A primeira parte da equação é basicamente o cálculo que fazemos de maneira instintiva. Mas existe um elemento nessa fórmula que merece atenção e deve ser também computado no cálculo do retorno: os proventos.

Proventos são mecanismos de remuneração ao acionista por parte das empresas, que podem assumir diversos formatos: dividendos, juros sobre capital próprio, bonificações ou bônus de subscrição (existem alguns outros, como redução de capital, mas ficarão para um próximo post). Na sequência, iremos falar um pouco sobre cada um deles e discorrer sobre métricas de avaliação e nomenclaturas específicas.

Conceitos básicos

Dividendo por ação – também conhecido como DPA, é a relação mais elementar na análise de dividendos: basicamente divide-se o valor a ser distribuído pela totalidade de ações da empresa;

Data com e data ex – data com é a data até onde o acionista ainda possui direito a receber o provento. A data ex, por sua vez, representa o dia em que a ação passa a negociar já descontando esse direito. Digamos que uma companhia anuncie que pagará R$ 0,10 por ação com data ex no dia 25/10/2019. A data com nesse exemplo é dia 24/10/2019. Ou seja, se um investidor tenta montar posição a partir do dia 25/10 (data ex), já não terá mais direito a participar dessa distribuição. A cotação da ação também passa por um ajuste na data ex. Usando esse mesmo exemplo, digamos que a ação estava cotada a R$ 10,00 no dia 24/10 (data com) e no dia 25/10 (data ex) o preço de fechamento do dia anterior será ajustado para R$ 9,90. Perceba que o patrimônio do acionista permanece o mesmo, mas agora parte do valor está na ação (R$ 9,90) e parte será paga na forma de dividendos (R$ 0,10);

Data de Pagamento – é a data em que os proventos serão creditados ao acionista;

Dividend yield – relação que divide o montante dos dividendos pagos pelo preço que a ação é negociada. Geralmente tenta medir o retorno isolando somente o fator dos dividendos. Se uma empresa anuncia um DPA de R$ 0,50 referente ao seu lucro anual e no momento negocia a R$ 5,00, o yield seria de 10%, ou seja, extrapolando esse mesmo cenário para os próximos 10 anos, o investimento feito estaria pago somente por essa via de valorização. Muitos investidores de longo prazo utilizam essa variável como um fator primordial na escolha de suas ações, buscando empresas que tenham elevados yields ao longo do tempo.

Payout – é uma relação que mede basicamente o quanto dos lucros uma empresa distribuirá aos seus acionistas. Ou seja, basta dividirmos os proventos pelos lucros de determinado período. Geralmente companhias que estão em estágio mais maduro de suas operações, bem estabelecidas no mercado, possuem um payout maior. Empresas em estágios iniciais ou com modelos que dependem de pesados investimentos, operam com payouts menores, já que a distribuição de dividendos afeta diretamente a geração de caixa.

Dividendos

Os dividendos são partes dos lucros distribuídos aos acionistas de acordo com a participação detida no capital da empresa. Segundo a Lei das S/A do Brasil, as companhias locais (de capital aberto) são obrigadas a distribuir pelo menos 25% dos seus lucros aos acionistas. Vamos imaginar que uma determinada companhia apresentou lucro de R$ 1.000,00 em um exercício social. Desse montante, ela distribuirá 25% aos acionistas, ou seja, R$ 250,00. Pensando agora pelo ângulo do acionista: imagine que um sócio possua 10% de participação no capital dessa empresa. Muito provavelmente, você já presumiu que a fatia dos lucros que lhe será destinada é de R$ 25,00 (10% de R$ 250,00 = R$ 25,00).

Esse mesmo raciocínio pode ser estendido para companhias que negociam em Bolsa, que apesar de distribuírem lucros muito mais expressivos (alguns até na casa dos R$ bilhões), possuem uma base acionária mais pulverizada, onde entram investidores pessoas físicas, fundos de investimentos, e todo o ecossistema de investidores no geral.

Juros sobre Capital Próprio (JCP) A dinâmica dessa remuneração é bastante semelhante a dos dividendos: uma companhia gera lucro e distribui a parte que não será reinvestida aos seus acionistas. Certo, até aqui, tudo igual. Então, qual a diferença? A diferença aparece no campo tributário. Enquanto o dividendo é isento de IR, uma vez que é oriundo dos lucros da empresa (já tributados), os JCP distribuídos são tributados em 15% do valor nominal anunciado pela empresa. Na prática: se uma companhia divulga um JCP de R$ 1,00 por ação, esse valor na verdade é de R$ 0,85, com os R$ 0,15 da diferença indo direto para pagamento de impostos. Note que ao preencher a declaração do seu imposto de renda, cada um desses proventos (dividendos e juros sobre capital próprio) possui um campo diferente para seu lançamento.

Bonificação

As bonificações são proventos menos comuns que os dividendos e os JCP, mas ainda assim acontecem com bastante frequência. A bonificação nada mais é do que uma incorporação das reservas detidas pela empresa em seu capital, ou seja, o acionista não está recebendo esse valor “do nada”, a empresa não está “criando dinheiro” (é relativamente comum que investidores não consigam entender esse provento em sua totalidade, e esse é um dos pontos mais incompreendidos).

Esse tipo de remuneração geralmente é feita por meio da distribuição de ações ao acionista com um percentual sobre a posição detida. Importante ressaltar que essa bonificação não altera o patrimônio do acionista. As ações são ajustadas quando a bonificação acontece, ficando cotadas sob a forma ex-bonificação. Por exemplo: uma companhia anuncia que fará uma bonificação de 10% aos seus acionistas, sob a forma de distribuição de ações. Caso alguém tenha 100 ações dessa empresa, logo passará a ter 110. E como fica a relação do patrimônio, quantidade de ações e cotação após o evento?

A tabela acima visa ilustrar a relação entre o patrimônio do acionista, a quantidade de ações detidas e o fator de ajuste que passam as cotações dos ativos após uma bonificação, supondo diversos percentuais para a bonificação.

Outro ponto que pode ficar pendente para o investidor é: “qual o custo por essas novas ações, já que as recebi ‘gratuitamente’?” Bom, a resposta nesse caso geralmente vem informada no comunicado que a empresa divulga ao mercado, mas o seu cálculo é bem simples: basta realizar a divisão entre o valor das reservas que estão sendo incorporadas pelo número de ações que serão distribuídas. Esse custo deve ser incorporado no cálculo do preço médio das ações já adquiridas anteriormente para fins de declaração de imposto de renda.

Subscrição

Quando uma companhia realiza um aumento em seu capital, ela oferece direitos de subscrição aos seus acionistas para que eles tenham a oportunidade de acompanhar esse aumento e não diluir suas posições. Note que são direitos, o acionista não está obrigado a participar desse evento societário. E quando exercer esse direito vale a pena?

Sempre que o preço da subscrição oferecido pela empresa apresentar desconto frente à cotação de mercado atual, o investidor pode capturar essa oportunidade comprando novas ações pelo valor oferecido (sempre na mesma proporção do aumento de capital, importante frisar), desde que acredite no modelo de negócios da companhia e tenha boas perspectivas para o futuro.

Caso o investidor não tenha interesse em participar da subscrição, poderá vender o direito no mercado secundário, caso apresente liquidez. A consequência mais relevante caso não queira participar da subscrição é a diluição da participação do acionista dentro da nova matriz de capital social da companhia.

Nesse artigo, buscamos apresentar uma exposição abrangente sobre os tipos de proventos que podem ocorrer no mercado de ações. Existe bastante material que pode ser consultado para se aprofundar sobre o tema, além, é claro, das próprias páginas de Relações com Investidores das companhias de capital aberto, onde estão disponíveis os comunicados ao mercado informando sobre distribuições passadas. Como uma forma de exercício, é interessante ler esses materiais e identificar os conceitos expostos nesse texto.

Na Solidus, acompanhamos esses indicadores e mapeamos as companhias que possuem boas políticas de dividendos. Em caso de dúvidas sobre qualquer uma dessas modalidades de proventos, ou sobre eventos específicos relacionados a alguma distribuição, a nossa equipe está pronta para prestar o auxílio devido.

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